Guia gratuito · ~30 minutos
Contas bancárias. Fotografias. Passwords. Armazenamento na cloud. Quase tudo fica permanentemente fechado — não por crueldade dos serviços, mas porque eles são desenhados para negar acesso a quem não és tu. É um problema que se resolve. Aqui está a versão de 30 minutos, sem opiniões diluídas. Sem precisar de advogado.
Neste guia
01 · APPLE
Definições → [o teu nome] → Início de Sessão e Segurança → Contacto de Legado. Escolhe alguém em quem confias. O iPhone gera uma chave de acesso ligada a essa pessoa.
Quando ela apresentar essa chave e uma certidão de óbito, todo o teu iCloud abre — fotos, mensagens, notas, ficheiros. Sem isto, a resposta da Apple é simplesmente "não".
Quase ninguém sabe que esta opção existe. Foi adicionada no iOS 15.2 e está enterrada a quatro toques de profundidade.
02 · GOOGLE
Vai a myaccount.google.com/inactive. Escolhe quanto tempo a Google espera antes de agir (3, 6, 12 ou 18 meses de inatividade). Depois designa até 10 contactos de confiança e decide o que cada um pode aceder — Gmail, Drive, Fotos, YouTube, separadamente.
A Google avisa-te com vários emails e SMS antes de ativar. Os falsos positivos são raros.
03 · GESTOR DE PASSWORDS
Esta é a chave-mestra para quase tudo o resto. 1Password, Bitwarden, Dashlane e LastPass têm todos uma função de "emergency access" ou "recovery contact", normalmente escondida nas definições da conta.
Adiciona um contacto, define um período de espera (7 dias é o típico) e, se não recusares o pedido dentro desse tempo, o cofre abre-se para essa pessoa.
Se ainda não usas um gestor de passwords, este é o momento de começar. Organizar passwords sem um é praticamente impossível.
04 · REDES SOCIAIS
Facebook: Definições → Centro de Contas → Dados Pessoais → Propriedade e Controlo de Conta → Memorialização. Atribui um Contacto de Legado (que pode gerir o perfil memorializado mas não lê as tuas mensagens), ou define a conta para se apagar automaticamente.
O Instagram usa a mesma definição da Meta. O X / Twitter só permite desativação por pedido de familiares próximos, sem configuração prévia.
05 · O PIN DO TEU TELEMÓVEL
Todos os códigos 2FA de que a tua família vai alguma vez precisar vivem atrás desses 4 a 6 dígitos. Sem o PIN, nada do que está acima funciona: nem sequer conseguem entrar na primeira conta porque os códigos de verificação não chegam a lado nenhum acessível.
Diz a uma pessoa verbalmente, ou escreve num papel guardado com os documentos importantes. Não o ponhas no gestor de passwords — isso é circular.
Se parasses na Parte 1 já estarias à frente de 95% das pessoas. Estes próximos cinco pontos são onde os restantes 5% falham — incluindo a falha mais cara desta lista inteira.
06 · CRIPTO — A MAIOR FALHA
Se tens qualquer criptomoeda numa carteira self-custody (Ledger, Trezor, MetaMask, Phantom, qualquer uma), a seed phrase é o ativo. Perde-la e o dinheiro desapareceu. Permanentemente. Sem recurso — a Chainalysis estima que cerca de 20% de toda a Bitcoin está em carteiras que ninguém consegue abrir.
A regra: escreve a seed phrase em papel ou metal, guarda-a fisicamente (um cofre, um cofre bancário) e diz a alguém que existe e onde está. Nunca a metas no gestor de passwords, numa nota da cloud, num email ou numa foto. Hardware wallet num sítio; seed phrase noutro.
Até pessoas tecnicamente sofisticadas falham nisto. A seed phrase é a maior diferença entre planeamento sucessório digital em 2026 vs há dez anos.
07 · CÓDIGOS DE BACKUP DO 2FA
A maioria dos serviços (Google, GitHub, bancos, exchanges) gera códigos de backup únicos quando ativas a autenticação em dois passos. Quase ninguém os guarda. Sem eles, se o telemóvel é perdido ou apagado, não entras nas contas mesmo sabendo a password.
Gera-os agora, imprime-os, arquiva-os com a folha-resumo (abaixo).
08 · DOMÍNIOS E NEGÓCIOS ONLINE
Um domínio que registaste por €12/ano pode ser o teu ativo digital mais valioso. O mesmo se aplica a uma loja Etsy, a um saldo do Stripe, a um Substack, a um canal de YouTube com receita de anúncios, a uma conta de developer da App Store. Têm dinheiro real a passar por eles e são quase sempre invisíveis para a família.
Anota o registrar, o email a que cada um está associado, e para que serve cada conta.
09 · SUBSCRIÇÕES PARA CANCELAR
É o problema inverso: contas que continuam a vir. Netflix, Spotify, armazenamento iCloud, ginásio, Substacks, as ferramentas SaaS que ninguém se lembra que assinaste. Meses de cobranças depois de uma morte é uma dor silenciosa e comum.
Não precisas de passwords aqui — só da lista, para que alguém saiba o que contactar.
10 · BANCOS, CORRETORAS, SEGUROS
Bancos, corretoras (incluindo as pequenas), PPRs, contas de reforma, apólices de seguro (vida, casa, saúde, automóvel) e quaisquer créditos ativos. Não precisas das passwords — precisas da existência e localização.
Os seguros são o mais subestimado: milhões de euros em indemnizações de seguros de vida ficam por reclamar todos os anos no mundo, simplesmente porque os beneficiários não sabiam que a apólice existia.
Tudo o que está acima só funciona se for encontrável. Tira 15 minutos e mete o seguinte numa única folha de papel (sim, papel):
Faz duas cópias. Uma numa caixa à prova de fogo em casa, outra com alguém em quem confiarias para lidar com isto — um irmão, o cônjuge, um advogado, um notário. Não na cloud. Não como ficheiro Word no ambiente de trabalho. Papel.
Os dados dos planeadores sucessórios são brutais e consistentes: 83% das pessoas que fazem um plano de herança digital nunca mais o atualizam. Ao fim de um ano as passwords mudaram, as contas multiplicaram-se, as pessoas designadas mudaram-se. O plano que parecia completo em março está meio inútil em janeiro seguinte.
A solução é embaraçosamente simples: escolhe uma data por ano — o teu aniversário, 1 de janeiro, o primeiro domingo depois da entrega do IRS — e passa 15 minutos a atualizar a folha. Põe um lembrete no calendário. Esse check anual de 15 minutos ganha a qualquer ferramenta sofisticada que ninguém mantém.
Bónus: nesse mesmo check anual, escreve uma carta curta a alguém de quem gostas e sela-a para uma data futura. Mesma mesa, mesmos 15 minutos. A papelada da herança digital diz às pessoas o que deixaste. A carta diz-lhes quem eras.
A maioria dos conselhos sobre herança digital pára nas contas. A parte mais difícil — as palavras que a tua família vai querer mesmo ler — é a que ninguém planeia. Construímos uma cápsula guiada de "Instruções" que percorre as mesmas perguntas, e termina com as palavras que só tu podes escrever.
Escrever a cápsula de Instruções →Grátis · encriptada antes de sair do teu dispositivo · abre na data que escolheres